segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Exagerices do Querer

Gostaria eu de escrever um poema inspirado em belezas raras, etéreas e puras
Que tuas rimas sem rasuras reverberassem a iluminação das sagradas escrituras.
Eu queria que este poema tivesse o peso d’alma de poderosos antepassados.
Que tuas palavras sangrassem as palmas de quem as lesse a punhos cerrados..

Gostaria de escrever algo que reavivasse o culto de deuses decaídos
Um poema que revelasse o mistério de planos astrais esquecidos.
E em cada misterioso verso seu se desvelasse em tom apocalíptico
sacro e sábio segredo de que cada fim carrega em si o renascer mítico.
Que em cada linha lida se destilasse um pouco da espessura fantástica
de símbolos mágicos como a cruz, a estrela de davi e a suástica.
queria que as palavras deste poema se amalgamassem num bailado zen.
Invocando o poder mágico de sagrado´sons:  namastê, axé, saravá, amém.

Mas quando muito se quer pouco se faz, quem muito deseja pouco satisfaz...
Poder no entanto e querer, sempre mais, Todo bom verso tem um reverso atrás.
A vida é real e de viés sei que bem sabe armar
Recolhido na ignorância de quem mal sabe rezar.
Te peço ó pai,  mesmo se for pro inferno me mandar,
Conceda-me  exagerar em versos a eternidade de amar.
Ed. B.

"... o poeta é um fingidor...

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho."

Fernando Pessoa

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