Retirante da seca onírica do agreste industrial,
acordou inebriado pelos versos desbragados de teu sonho matinal.
Mas não despertou, sentiu-se mais perto de Deus, e resolveu apertar um fumo lírico com as réstias de sonho que lhe restaram do sono.
Sonhando acordado mandou-se, mordeu com a boca árida a polpa de palavras que se encalacravam na atmosfera encruada de sentimentos acinzentados, de não-ditos recalcados.
As palavras, assim desenrustidas deste denso ar, formaram espesso sumo e de sua boca, ao mastiga-las, jorraram flores e peixes.
Mordeu de Lamber as fendas da manhã e flagrou a lua engravidando o céu azul do dia, despudorada, impávida diante da presença luminosa do astro rei.
Sentiu, num após, da saudade um forte gosto e mastigando foi-se, a desenredar as tramas sutis dum dia de agosto. Assim permanecido ajeitou-se em cume calmo na calada do poente presenciou comovido o desvirginar da madrugada.
Rogou num samba raro o beijo da noite escura, que se escondia trás dos montes, destilada de amarguras. Sentiu o corpo úmido, turgido de ânsias e quis um oasis como prêmio: Orvalho é água benta do Boêmio!!
No galope macio desguiava do frio e toda sua poesia unida resumia o ciclo do cio. Agosto já se ia.
E tudo o mais o quanto houvera, era magia, findo o desgosto que havia.